quarta-feira, 3 de março de 2010

Amor de corpo inteiro.
Um amor que transcende, transpira, transborda.
Amor com mãos e pés.
Com dedos, braços, pernas, barriga, pele e abraços.
Um amor que surpreende, sem nada inventar, sem precisar exagerar, sem ter que sempre entender.
Simplesmente ser... preencher, existir!
Amor que não investiga, que não desconfia, que não acusa.
Amor de palavras, mas também de silêncio.
Um silêncio que aquieta o coração, que acaricia a alma e alivia as dores!
Amor que esvazia, que abre espaço, que permite.
Amor sem regras, sem pressões, sem chantagens.
Amor que faz crescer.
Amor de gente grande, de coração gigante, de alma transparente.
Amor que permanece.
De mim para mim, de mim para você, de você para mim.
Amor que invade respeitando, que adentra acariciando, que ocupa com leveza.
Amor sem ego.
Que acolhe, perdoa, reconhece.
Amor que desconhece para conhecer, que nunca lembra porque não esquece!
Amor que é... assim, sem mais nem menos, sem eira nem beira, sem quê nem porquê.
Simplesmente simples, despretensioso, descontraído, desmedido.
De uma simplicidade tão óbvia que arrasta, que envolve, que derrete.
De uma fluidez tão líquida que escorre, desliza, que não endurece.
Amor que não se pede, que não se dá, porque já é!
Para nunca precisar procurar, para nunca correr o risco de encontrar, porque já está!!!
E o que quer que ainda possa surgir... bobagem!
Apenas crescimento e aprendizagem...
Volta para casa, não se vá!
Fique, permita-se, entregue-se, comprometa-se!
Simplesmente amor...
Você consegue?!?

SHUT UP!

Decidi começar a escrever para não te obrigar a me ouvir, porque se eu começar a falar, vou te atropelar sem pena, sem dó, sem chance de defesa. É que não há lombadas no caminho entre o meu cérebro e minha boca, eu chego à alta velocidade em segundos, minha marcha é automática assim como minha mente.

Sempre fui meio malcriada e respondona, impulsiva ao extremo, nunca medi a intensidade do dizer antes que dissesse, nunca me preocupei com balanças, nunca temi reações. Mas eu estou tentando aprender a calar, é sério, estou me esforçando o máximo pra me controlar.

Eu falo porque vejo coisa errada acontecendo, não calo diante da injustiça e da falta de inteligência. Eu falo quando não me escutam. Eu falo mesmo que não me apóiem. Eu falo mesmo que chamem de absurdo. Eu falo porque não agüento ver decisões serem tomadas sem um consenso. Eu falo porque não acredito que exista tanta falsidade e hipocrisia em nosso meio. Eu falo por precaução, por zelo, mais priorizando isso, não me preservo, falo contra a minha própria defesa, ponho minha conta em risco, dou a minha cara à tapa, e apanho mesmo, é sempre assim que acontece.
Eu queria que fosse fácil, eu queria sim, ficar quieta e não me envolver, não sentir a dor dos outros, esperar o circo pegar fogo e ser a primeira a correr, mas não consigo.

Bem que podiam inventar um controle remoto que funcionasse em sintonia comigo (meu Namorado ia amar). Eu falo muito, exponho sempre minha opinião sobre qualquer assunto em pauta, até sobre futebol eu me atrevo, me intrometo, mas às vezes exagero, e nessas horas de hipérboles bem que poderiam me dar uma ajudinha e apertar o MUTE para eu parar de tagarelar.

Tem vezes também que falo rápido demais, e outras vezes codifico demais, ironizo, oculto o sentido. Detesto repetir o que acabei de falar, detesto quando me respondem com um: “Hã?” “O quê?” Se não prestar atenção no que estou falando é melhor esquecer, porque com certeza não tornarei a dizer. Nessas horas eu usaria a tecla SAP, num passe de mágica tudo o que falei se explicaria, e tudo o que eu quis dizer e não disse se traduziria.

Mas eu estou aprendendo, a vida tem me ensinado a ser mais prudente nesse aspecto, e pra falar a verdade, eu cansei de me expor e não ver nada de novo acontecendo, nada mudando, nada crescendo, eu só me ferro quando deixo minha voz aparecer, agora eu só quero saber de escrever.